
Começo já esclarecendo que o filme não consegue ser tão bom como o trailer, mas, que filme consegue, hoje em dia? Mas isso não impede que Machete seja uma diversão do catano! E tem a Jessica Alba nua (1)!
Não confundir com Machete! (1958) ou com Machete (2006)!
A génese de Machete é bem conhecida: tudo começou quando Quentin Tarantino e Robert Rodriquez criaram Grindhouse, um filme duplo de homenagem aos filmes grindhouse (violência, sexo e baixo orçamento dos anos 70) contituido por Planeta Terror e Death Proof ( de Rodrigues e Tarantino, respectivamente). E o projecto também incluia diversos trailers de filmes fictícios, também do estilo grindhouse. Machete era um deles (2), e depois do sucesso do falso trailer, Robert Rodriguez decidiu realizar a versão em longa metragem, com o mesmo protagonista, Danny Trejo, colaborador habitual do cinema de Rodriguez. Toda a estética "suja" do filme, os efeitos visuais e sonoros, os clichés, o overacting e o humor muito negro, formam um pacote em que tudo é uma homenagem ao género Grindhouse: feio, porco e mau, ao que se soma a crítica social ao tratamento e exploração dos emigrantes ilegais nos EUA. E este exemplar de "mexploitation" é divertidissímo, apesar de perder um pouco de gás antes do final! Aconselha-se a ver com um grupo de amigos!
A história é do mais básico: Machete é o único Federale não-corrupto, que ao enfrentar o senhor da droga Torrez (interpretado por Steven Segal) só consegue que lhe matem a mulher e que o deixem como morto. Anos mais tarde, já nos States, é contratado por um politico (o Lapidus do Lost) para matar um Senador (De Niro) que quer passar uma lei para dificultar a entrada de estrangeiros nos EUA. Obviamente, tudo não passa de uma armadilha para aumentar a popularidade do Senador. Ferido, e procurado pela polícia, Machete tenta sobreviver ajudado por uma sexy agente da emigração (Jessica Alba), por uma das líderes dos emigrantes ilegais (Michelle Rodriguez) e pelo seu irmão, o pouco católico padre Cortez (Cheech Marin). E quando descobre que Torrez tem estado a puxar os cordelinhos, Machete não vai desistir até confrontar o seu arqui-inimigo.
Lista de coisas que aprendi com este filme:
*É possivel fazer rappel usando o intestino grosso de um bandido como corda;
*Machete fica com todas as gajas;
*A cabeça dos bandidos tem 20 litros de sangue;
*Qualquer membro do corpo dos bandidos tem 20 litros de sangue;
*Michelle Rodriguez fica sexy de pala no olho;
*O Steven Segal está gordo;
*O Steven Segal diz "puñeta" 528 vezes durante o filme;
*Uma mulher nua pode guardar o telemóvel na...pois...vocês sabem;
*Danny Trejo é feio como uma noite de trovões. Mas fica com todas as gajas!
(1)[Nota: afinal a rapariga não está nua, são efeitos especiais. Bem que achei qualquer coisa estranha na cena, mas não sei porque não reparei nesse pormenor http://www.nerdssomosnozes.com/2010/10/fim-da-nudez-no-cinema.html ].
(2) "Hobo with a Shotgun" também teve o mesmo tratamento de Machete, e é protagonizado por Rutger Hauer, e estreou em 2011.

Este é um dos meus filmes favoritos. Vi-o pela primeira vez em 2005, e incrivelmente, as únicas linhas que escrevi sobre esta fita foram: "Cinema Paraiso (1989, Giuseppe Tornatore), a bela e nostálgica história de um projeccionista e do seu aprendiz durante algumas décadas, no cenário de uma pequena vila na Sicília." Uma falha minha inacreditável, que vou colmatar agora.

Sequela de um dos grandes filmes de acção (com um toque sci-fi e terror) do final dos anos 80, o Predator de Arnold Schwarzenegger ( e realização de John McTiernan), esta produção de Robert Rodriguez (Machete, Planet Terror) regressa ás origens da saga: floresta, soldados e ... predadores. É um filme eficaz, sem floreados e que mergulha directamente (e literalmente) na acção. Não há flashbacks nem conversas lamechas para delinear as motivações das personagens, apenas algumas perguntas da "praxe" para tentar definir se é amigo ou inimigo. São apenas um conjunto de soldados, mercenários, mafiosos, assassinos em geral e um médico em particular. Depois de serem largados de para-quedas num planeta hostil, rapidamente percebem que a força está nos números, se quiserem sobreviver aos seus caçadores, os temíveis Predadores. E assim que estes chegam perto, o body count começa a aumentar, numa corrida sangrenta para sobreviver. Pessoalmente, aborreceu-me que a partir de um certo momento a imagem fosse tão escura que se tornava difícil distinguir que personagens tinham sido abatidos e quais tinham sobrevivido. Claro que já não existe o factor surpresa do filme original, mas o elenco, a acção e um pequeno twist conseguem manter o interesse até ao fim.
Um filme honesto, porque não pretende mais do que é: uma película de acção competente, directa, sangrenta e entretida q.b.

O filme adapta a série de graphic novels (banda desenhada!) em seis volumes em preto e branco intitulada "Scott Pilgrim", da autoria de Bryan Lee O'Malley e publicada entre 2004 e 2010. A história deste filme de comédia/acção/musical é bem simples: Scott Pilgrim (o baixista da banda rock "Sex-Bob-omb") apaixona-se à primeira vista pela bela e misteriosa Ramona Flowers. Depois de umas tentativas atribuladas de conquistar o coração da amada, Scott descobre que para poderem namorar terá primeiro que derrotar os sete malvado ex-namorados de Ramona. O resto é um espectáculo recheado de efeitos visuais e sonoros, personagens carismáticas e muita música e KOs!
Não sou geek dos jogos de computador e consola, não conheço muitas bandas fora do circuito comercial, portanto à primeira vista estaria excluído do público alvo de um filme recheado de referências a esses dois universos. E no entanto, é fácil criar empatia com a história e os personagens. Este filme podia ter sido mais uma fantasia de poder adolescente, mas está repleto de um sentido de humor peculiar e um ritmo narrativo diabólico e invulgarmente livre de convenções, e durante a maioria da metragem consegue ser entusiasmante, e não apenas durante as sequências de luta, que são bastantes e imaginativas, mas também quando deambula pelas relações inter-pessoais do universo Scott Pilgrim. Todos os actores estão muito bem, incluindo o protagonista Michael Cera, actor sobre o qual confesso que tinha muitas reticências antes de ver o filme, talvez devido a filmes anteriores que deixaram a imagem de tótó. Além de uma deslumbrante Ramona (Mary Elizabeth Winstead), outro ponto forte da película são os enérgicos secundários, que contrastam com o melancólico Scott e a indecisa Ramona, e que dão vida a cenas que, com outro material de origem ou um realizador diferente, seriam decerto chatas de morte! Destacam-se Ellen Wong como Knives Chau (perdidamente apaixonada por Scott), Kieran Culkin como Wallace Wells (o colega de quarto gay de Scott) e Anna Kendrick como Stacey Pilgrim, a irmã de Scott. Bom trabalho do realizador Edgar Howard Wright, que além de dirigir o filme, o escreveu, produziu e actuou num pequeno papel. Os seus antecedentes incluem pérolas hilariantes como Shaun of the Dead e Hott Fuzz.
Também de destaque é o modo como os elementos típicos de banda desenhada - como as onomatopeias e transições espaciais - são transpostos para o grande ecrã, de um modo divertido e com significado para o decorrer da narrativa, sendo na maioria das vezes mais que dispositivos de humor ou estilo. Outro elemento do filme que triunfa é a constante utilização de música, como banda sonora incidental e mesmo como parte da acção, visto que vários dos personagens pertencem a grupos musicais. Como disse antes, é um género musical que desconheço, mas a que agora vou começar a prestar mais atenção.
Em suma, um filme fresco, e extremamente divertido, sex, games and rock'd roll!

Assisti a um trailer do filme Equilibrium (2002 - dirigido por Kurt Wimmer, com Christian Bale,Emily Watson e
Taye Diggs nos principais papéis) e fiquei a fervilhar de curiosidade. Era prometido um festival de beleza visual, acção e emoções...pois é sobre esta última que o filme realmente trata. E só posso dizer que fiquei muito satisfeito com o resultado final. As cenas de acção são belas, fiquei muito agradado ao saber que tudo foi feito sem necessidade do recurso a fios ou arames, somente duplos, o que contribuiu para dar um aspecto mais realista a esta ficção sobre um futuro que poderia perfeitamente ser o nosso. Valerá a pena desistir de sentir para garantir a segurança do Mundo? Viver só para perpetuar a nossa espécie? Deveremos seguir cegamente e pela força o que os nossos governantes nos ordenam, pelo bem comum? Ao visionar este excelente filme, que podia (felizmente não o fez) ter enveredado por caminhos mais melodramáticos e fáceis, decerto ocorrerão á nossa mente o livro "1984" (George Orwell), o filme "The Matrix" (1999) e muitas mais ficções do nosso imaginário colectivo sobre futuros pós-apocalípticos. Mas felizmente não soam a repetição, é apenas mais outra visão sobre um futuro possível, um futuro de Controlo, que julgo ser dever de todos os seres humanos evitar que cheguemos a tal. Mas a minha fé na Humanidade não é muito grande. Pois a Humanidade é capaz de bem e de mal, e este filme reflecte essa condição. Aconselho vivamente a quem procure mais do que cenas de acção impregnadas de efeitos computorizados e queira passar uns momento divertidos e reflectidos.
Não posso esperar para visioná-lo novamente!

#Texto publicado originalmente no blog Prometheus31, em Novembro de 2003:
MATRIX REVOLUTIONS - Round 1
"Assisti ontem [5 de Novembro de 2003] ás 14:00 á estreia mundial do último volume da trilogia Matrix. Devo confessar que as minhas expectativas eram muito elevadas. E ninguém lamenta mais do que eu, contatar que elas sairam frustadas. Talvez seja prematuro afirmar, mas julgo que os irmãos Wachowski falharam na tarefa de proporcionar um final á altura das duas peliculas precedentes. Mas geralmente um segundo visionamento do filme leva a que a minha opinião sobre filmes em que fiquei desiludido mude. É um bom filme de ficção cientifica, mas não honra o espirito de originalidade, criatividade e emoção do melhor (na minha opinião) filme da trilogia: The Matrix. Quanto mais vezes vejo esse filme, mais gosto dele. A RTP1 passou-o ontem á noite, tal como fizeram na altura da estreia do Matrix Reloaded. Bem jogado. Do Revolutions, destaco alguns momentos da luta final de Neo contra Smith, e de algumas cenas dos mechwarriors que com o seu sacrificio defendem Zion. Lamentavelmente, as cenas passadas dentro da Matriz são muito escassas, em detrimento do Mundo Real, que continua a contrastar pela sua artificialidade computurizada, muitos diálogos e acções repetitivas, repetidas e inconsequentes. Resumindo: os fãs esperariam muito mais. Brevemente, depois de ver o filme novamente irei publicar a minha critica final."
NOTA: Bem, essa "critica final", pois, bem .... mudando de assunto...
#Segundo texto, publicado em Maio de 2004 [ler]:
MATRIX REVOLUTIONS - Round 2
"Como referi logo na altura em que fui ver Matrix Revoluions na sala de cinema, de certeza que quando o revisse iria apreciar mais o filme. E confirmou-se! Há alguns dias tive a oportunidade de asssitir a um Backup ^-^ do DVD, com uma imagem muito boa, e conclui que a minha critica anterior resultou do excesso de expectativa gerado em cima da pelicula. Pois bem, o filme é acima da média em termos de acção e visual, mas não está à altura dos outros dois. Seria melhor se os realizadores tivessem juntado Reloaded e Revolution num só, com bastantes cortes em cenas inuteis. Mas vê-se bem. "

Escrevi este texto com bastante tempo de atraso, atraso esse motivado principalmente pela minha falta de vontade de falar sobre a minha maior decepção cinematográfica do ano. Pelo menos até agora. Não que o filme seja assumidamente mau, não. Mas o que desilude mais é o enorme potencial desperdiçado num filme que não arriscou, que não tem ritmo ou um fio condutor interessante. Nesta nova versão dos clássicos livros de Lewis Caroll (pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson), temos Tim Burton, um realizador consagrado, com a sua habitual genialidade visual para criar designs delirantes e mórbidamente atraentes. Mas ficou-se por ai. A nível de argumento desilude, apesar de ser um retalho dos livros "Alice's Adventures in Wonderland" (1865) e "Through the Looking-Glass, and What Alice Found There" (1871). Repete desnecessariamente trechos já vistos dezenas de vezes em outros filmes e séries, não se decidindo se o filme é um remake ou uma sequela. É verdade que a Alice já não é uma criança, mas sim uma jovem mulher que salta no desconhecido para escapar da sua vida tediosa e a um casamento arranjado. Esta Alice, atormentada em pesadelos pelas suas anteriores viagens à Underland, quando chega ao fundo do buraco repete as clássicas cenas em que cresce e encolhe para passar pela minuscula porta que dá acesso não à Wonderland mas a uma Underland devastada pela maligna Raínha Vermelha (retirada do segundo livro, não confundir com a mais conhecida Rainha de Copas, do primeiro livro), onde basicamente tem que aceitar que é o seu destino derrotar a Raínha Vermelha e o monstro Jabberwocky. E pelo caminho encontra algumas personagens bizarras. E pronto, a clássica "jornada do herói". Neste caso, uma heroína apática, que se recusa a acreditar no mundo pelo qual caminha...
Burton tinha feito melhor em optar pelo sua amada animação stop-motion em vez de um exagero na aplicação de efeitos digitais, que ainda por cima não são nada de especial. E "ouvi dizer" que a versão exibida em 3-D não justifica o dinheiro extra.
A minha cena favorita, das poucas em que se nota o dedo de Burton, foi quando Alice atravessa um fosso que rodeia o castelo, saltando por cima de cabeças de cadáveres, de vitimas de Rainha Vermelha. Confesso que me diverti ao ouvir uma mamã na fila atrás de mim assegurar ao filhote ( que perguntou o "que era aquilo?") que eram pedras.
No global, salva-se a interpretação da generalidade dos actores, principalmente Johnny Depp (o Chapeleiro Locuo) que tem mais um boneco para a sua galeria de bonecos, e a Helena Bonham Carter como a repetitiva mas carismática Rainha Vermelha. Ironicamente, destacam-se ainda mais que os actores de "carne-e-osso" as vozes das criaturas digitais, a cargo de actores impecáveis como Alan Rickman (a Lagarta Azul) e Stephen Fry (Cheshire Cat).
Concluindo - que já divaguei muito para quem tinha pouca vontade de escrever - um filme com uma boa produção técnica, bons actores, boa banda sonora (Danny Elfman, em mais uma colaboração com Tim burton), mas que falhou em criar um produto final que se desejava alucinante, non-sense e que desafiasse as nossas percepções da realidade. Talvez mais sorte no próximo remake/re-imaginação...
Texto originalmente publicado em http://cine31.blogspot.com/search/label/critica#6303994267921006249

Resolvi escrever este pequeno texto devido a comentários recorrentes na blogosfera e redes sociais nacionais e internacionais: declarações de ódio a remakes e reboots...

7 de Maio de 2005. Um dia histórico! Não, não foi o dia em que a SkyNet ficou operacional e destruiu o Mundo... Esse dia, 6 anos atrás, foi o dia em que o projecto CINE31 nasceu! Hoje, o blog ultrapassou a marca dos 160.000 visitantes e 240.000 páginas vistas. Em seis anos, o blog mudou de visual várias vezes, e está presente em sites e redes sociais como o Facebook, o Twitter, o Tumblr e o Youtube, e desenvolveu novas rubricas e várias parcerias com blogs de cinema e de outros temas. Durante 2010 o blog passou por um extreme makeover [aqui]; mas a mudança mais significativa veio em 2011, quando a 4 de Abril o CINE31 ganhou um novo membro: Sofia. Entrou à "experiência", e só posso dizer que ultrapassou as expectativas. Coincidimos no gosto por alguns filmes e...
Leia o texto completo: cine31.blogspot.com/2011/05/6-aniversario-do-blog-cine31.html

Muita coisa acontece em cinco anos. Bollywood faz 5000 filmes, pessoas morrem de fome, os inventores do Youtube enchem o rabo de dinheiro, o James Cameron acaba o Avatar, a economia vai pelo cano, etc, etc. Mas o CINE31 - com mais ou menos contratempos - manteve-se de pé, firme e hirto. E precisamente hoje [14/05/2010], este belo blog comemora 5 anos e 1 semana de vida! E pergunta bem o leitor: "Mas, ouve lá, porque raio não comemoraste a semana passada?". "Porque não!" respondo eu.
Em cinco anos este blog passou por diversas metamorfoses, visuais e de conteúdo, deu origem a um spin-off (o CINE31 Collector's Edition), conquistou leitores, que nos primeiros meses não passavam de 20 diários, chegou em 2009 ao pico histórico entre as 400 e 600 visitas diárias, estabilizando nos 100 e tal visitantes por dia. O Blog desdobrou-se também nas novas mídias sociais, no Twitter e no Facebook onde já tem bastantes seguidores.
Infelizmente, por motivos técnico-temporais, não foi possível comemorar o quinto aniversário do CINE31 com a prometida remodelação a fundo, mas... não tardará! Fiquem por ai e vão ver que vale a pena! A todos os nossos leitores, colaboradores e sites amigos o nosso muito obrigado!
David Martins - Editor Chefe do CINE31
P.S. - E que melhor modo do que começar a minha participação no Cinema Total do que com a comemoração de um aniversário?
