Parece uma pegadinha. Um boato sem fundamento desses que aparece em revistas de fofoca. Nunca que alguém iria imaginar que um dia Quentin Tarantino seria cotado para dirigir um filme de Star Trek.


Relembrando: a franquia criada por Gene Roddenberry existe há 51 anos (quase a idade do próprio Tarantino). Tudo começou com a série original, que foi exibida de 1966 a 1969, estrelando William Shatner como Kirk, Leonard Nimoy como Spock, e todo o restante da tripulação da USS Enterprise viajando em missões pelos confins do espaço, representando a federação no Século XXIII.


Em 1973, foi ao ar a série animada, que durou 22 episódios, continuando as aventuras dos mesmos personagens. Inclusive trouxeram todos os atores originais para dublar seus personagens, que foi uma exigência de Nimoy ao ser convidado.


Em 1987, Roddenberry criou e produziu A Nova Geração, se passando 80 anos após os eventos originais, com um novo capitão vivido por Patrick Stewart, o andróide Data vivido por Brent Spiner, e o restante do elenco. A série durou 178 episódios até seu final em 1994. Após a morte de Roddenberry, o produtor Rick Berman permaneceu como o responsável pela franquia, produzindo A Nova Geração, e criando as séries Deep Space Nine (1993-1999), Voyager (1995-2001) e Enterprise (2001-2005).


Além disso, diversos filmes vem sendo produzidos para as telas de cinema desde 1979. O último filme foi Star Trek: Sem Fronteiras, lançado em 2016.


E todas as produções tem um aspecto em comum: elas respeitaram a estética, o tom, o gênero e a estrutura criadas por Roddenberry há mais de 50 anos. Star Trek nunca foi um veículo autoral para diretores expressivos. A palavra final sempre foi do produtor, seja ele Berman, J.J. Abrams, Harve Bennett ou o próprio Roddenberry.


A notícia que vazou agora afirma que Tarantino teria feito um pitching* para os executivos da Paramount, e que o próprio Abrams teria curtido a premissa a ponto de apoiá-lo. Existe forte possibilidade de Tarantino assumir este projeto após concluir seu filme sobre Charles Manson, em produção atualmente.


*Uma apresentação ou venda de uma idéia.


Seria Tarantino capaz de conter seu ego e suas tendências ao dirigir um filme de Star Trek? Vale lembrar que ele já dirigiu episódios de CSI e ER, e ele foi capaz de encaixar seu trabalho no universo já bem definido desses seriados sem chamar atenção.


Outra questão em aberto é: que rumo este filme tomaria?


Atualmente, a Paramount e J.J. Abrams estariam desenvolvendo mais um filme com o elenco introduzido em 2009, incluindo Chris Pine e Zachary Quinto nas novas encarnações de Kirk e Spock, com a possibilidade de Chris Hemsworth retornar ao papel de George Kirk, pai do capitão.


Além disso, temos também a série Star Trek Discovery, criada por Bryan Fuller, atualmente produzindo sua segunda temporada, e que se passa na linha temporal tradicional separada dos filmes atuais, mostrando aventuras de USS Discovery, tendo Sonequa Martin-Green como a protagonista.


Será que o filme de Tarantino seguiria todo o cânone estabelecido nos últimos 50 anos ou tomaria um rumo completamente diferente, ignorando todos os episódios e filmes anteriores? Se esta notícia for realmente verdadeira, há muitas perguntas a serem feitas.


Tudo bem que quando alguém pensa em Tarantino, a primeira imagem que vem à cabeça é algo como Pulp Fiction ou Cães de Aluguel, mas sua filmografia pode ser vista como eclética. Por mais que muitos fãs fiquem apreensivos, sempre existe a possibilidade de Tarantino surpreender. Kill Bill foi uma mistura inesperada de vários gêneros, incluindo uma boa dose de cultura japonesa. Django Livre misturou western e escravidão com maestria. Tarantino sempre foi cinéfilo, disposto a consumir todo tipo de produto e obra.


Veremos no que dá, caso isso vá adiante.



Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 10:54  

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