Estreias da Semana - 02/07/2015

(3 de jul de 2015)



Em primeiro lugar, quero esclarecer que a ausência de posts foi devido a um seminário do qual participei durante quase toda a semana.


E agora segue abaixo os lançamentos desta primeira semana de julho:




O Exterminador do Futuro: Gênesis

Órfã aos 9 anos devido a morte dos pais por um exterminador, Sarah Connor é criada e protegida por um robô T-800 reprogramado. Ela agora junta-se a Kyle Reese para impedir a rebelião das máquinas.


Ação / Aventura / Ficção Científica - (Terminator - Genisys) EUA, 2015.


Direção: Alan Taylor.
Roteiro: Laeta Kalogridis e Patrick Lussier.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Emilia Clarke, Jai Courtney, J.K. Simmons, Matt Smith, Courtney B. Vance, Dayo Okeniyi, Byung-hun Lee, Sandrine Holt, dentre outros.


Duração: 126 min.
Classificação: 12 anos.




Belas e Perseguidas

Uma policial junto com a esposa de um traficante são perseguidas por policiais corruptos.


Comédia (Hot Pursuit) - EUA, 2015.


Direção: Anne Fletcher.
Roteiro: David Feeney e John Quaintance.
Elenco: Reese Witherspoon, Sofia Vergara, Matthew Del Negro, John Carroll Lynch, Michael Mosley, dentre outros.


Duração: 87 min.
Classificação: 12 anos.




Meu Passado me Condena - O Filme 2

Fábio e Mia são um casal que acaba caindo na rotina. Quando Fábio esquece o aniversário de casamento, Mia resolve dar um tempo na relação. O avô de Fábio, que mora na Espanha, avisa que ficou viúvo. Ao ir para o funeral, Fábio percebe uma oportunidade para salvar seu casamento.


Comédia - Brasil, 2015.


Direção: Julia Rezende.
Roteiro: Patricia Corso.
Elenco: Fábio Porchat, Ernani Moraes, Marcelo Valle, Antônio Pedro, Miá Mello, Inez Viana, dentre outros.


Duração: 133 min.
Classificação: 10 anos.



Woody Allen - Um Documentário

Documentário sobre a carreira do diretor Woody Allen, partindo de depoimentos de diversas figuras da indústria cinematográfica.


Documentário (Woody Allen: A Documentary) - EUA, 2012


Direção: Robert B. Weide.
Roteiro: Robert B. Weide.
Elenco: Woody Allen, Letty Aronson, Marshall Brickman, John Cusack, Penélope Cruz, Larry David, Diane Keaton, dentre outros.


Duração: 113 min.
Classificação: 12 anos.




Um Pouco de Caos

Sabine é uma paisagista que acaba sendo escolhida para criar um dos principais jardins do Rei Luis XIV, em Versailles.


Drama (A Little Chaos) - Inglaterra, 2014.


Direção: Alan Rickman.
Roteiro: Jeremy Brock, Alison Deegan e Alan Rickman.
Elenco: Kate Winslet, Alan Rickman, Danny Webb, Mathias Schoenaerts, dentre outros.


Duração: 117 min.
Classificação: 14 anos.




Meu Verão em Provença

Lea, Adrian e seu irmão surdo passam um feriado em Provença junto com um avô que jamais haviam conhecido. Nada ocorre como o planejado, quando o pai acaba deixando os filhos em casa com o avô, provocando um forte choque de gerações.


Drama (Avis de Mistral) - França, 2014.


Direção: Rose Bosch.
Roteiro: Rose Bosch.
Elenco: Jean Reno, Anna Galiena, Chloé Jouannet, dentre outros.


Duração: 105 min.
Classificação: 16 anos.








Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 14:34  

A ditadura da dublagem

(29 de jun de 2015)



Nesse domingo, fui assistir a uma sessão de Divertida Mente, o mais novo sucesso da Pixar que se encontra em cinemas por todo o país. Como já esperava, foi uma sessão inesquecível, repleta de momentos emocionantes e uma trama cativante repleta de personagens bem desenvolvidos.


Mas não foi esse o motivo pelo qual escrevi esse post. A questão é mais embaixo. Fui ver uma sessão no UCI New York City Center as 7:45 da noite desse domingo. Era a única sessão legendada do filme disponível. Quando comprei minha cadeira no Ingresso.com, fiz questão de conferir quantas sessões legendadas haviam disponíveis....


Minha descoberta foi decepcionante: apenas três salas de cinema, e apenas uma sessão legendada naquele dia por sala*.


Repito: três salas de cinema em todo o território do Rio de Janeiro, pelo menos de acordo com o mecanismo de busca do Ingresso.com.


Há algo de errado com essa proporção de mercado. Se isso não é uma falta de respeito com o espectador que procura entretenimento legendado, não sei mais o que qualificaria como tal.



*E ainda por cima, teve de ser uma sessão 3D com uso de óculos obrigatória. Como era a única sessão legendada disponível, tive de aceitar essa condição. Mas o debate quanto ao excesso de cópias 3D pode ficar para outro post....


É claro que sempre que estoura o debate entre filmes dublados e legendados, o estúdio sempre sai com uma nota de teor diplomático tentando explicar sua decisão, geralmente citando motivos pelos quais lançam filmes com uma porcentagem desigual pendendo para as cópias dubladas.


E geralmente eu concordo com os motivos pelos quais eles tomam essa decisão. Vivemos em um mundo em que o espectador não é incentivado a leitura ou ao domínio de outras línguas. Dublagem facilita a passividade de quem vai ao cinema simplesmente a procura de um descanso e simples entretenimento.


E isso não é um fenômeno exclusivamente brasileiro (que tem a questão de classes baixas menos escolarizadas como público-alvo). Se for aos EUA, você perceberá que o povo lá nunca assiste a filmes legendados, preferindo a dublagem norte-americana. Em outros países, como a França ou Espanha, existem movimentos contra a legendagem, não só para proteger a classe de dubladores que existe, mas também visando limitar a influência do produto cultural norte-americano, a fim de preservar sua própria cultura nacional.


Também entendo perfeitamente o porquê de animações terem uma porcentagem infinitamente maior de cópias dubladas. Crianças são um público ainda em fase de aprendizado, e muitas vezes precisam de um auxílio para seguir a trama. Mas, ao mesmo tempo, considero isso um verdadeiro desrespeito para aqueles que são capazes de ler, escrever e entender outra língua desde cedo. Por exemplo, eu, aos sete anos de idade, já assistia a filmes legendados sem nenhum problema.


E tem outra questão a ser abordada: quando o braço distribuidor da Disney resolve lançar um filme da Pixar no Brasil, e resolve fazê-lo numa proporção de 98% de cópias dubladas, isso demonstra uma falta de conhecimento tanto do público-alvo quanto do próprio filme que estão lançando. Filmes da Pixar não são destinados exclusivamente a crianças. Muitos deles possuem nuâncias e complexidades que somente pessoas mais experientes são capazes de captar (e existem crianças igualmente capazes). O próprio Divertida Mente é um exemplo clássico. É um verdadeiro estudo psicológico para pessoas em busca de conteúdo especializado, ao mesmo tempo que mostra personagen que divertem o segmento infantil. Se fosse um filme como Velozes e Furiosos, entenderia completamente a porcentagem superior de cópias dubladas, até pelo estilo de filme sendo exibido e a qual público ele é direcionado. Mas estamos falando de uma produção Pixar, e muitos sabem o nível de inteligência e dedicação que vai em cada uma de suas produções, como já analisei anteriormente.


E o simples fato é que com apenas três salas disponíveis, muitos espectadores que apreciam obras legendadas ficarão com opções limitadas.


E porque ver legendado? Isso tem vários motivos. No meu caso, eu faço questão de assistir qualquer filme da forma como o diretor o concebeu. Isso inclui ouvir as performances verbais dos atores - ou dubladores originais de animações - escolhidos a dedo por esse diretor. A Pixar escolheu Amy Poehler para interpretar a personagem Alegria no filme. Foi um acerto escolherem uma comediante veterana que é conhecida por seu bom humor e que sempre demonstra esse espírito de diversão e alegria em qualquer aparição.


Respeito os dubladores brasileiros, e acho que são profissionais mais do que capazes de dar uma performance distinta que seja igualmente capaz de trazer a mesma vitalidade a esses personagens. Mas no fim das contas, eles não foram a escolha original do diretor.


Considero isso um fator essencial, e não me limito apenas a filmes norte-americanos neste quesito. O filme pode ser francês, japonês, finlandês, italiano, iraquiano, e assim por diante. Sempre irei preferir a obra original.


Será que 99% do público prefere realmente filmes dublados? Não sei dizer. Não tenho a capacidade ou recursos para realizar um censo detalhado que analise isso. Mas também acho que o número de pessoas que deseja filmes legendados com o áudio original supera a marca de 1% com facilidade. A questão é que as distribuidoras não ouvem as opiniões desse segmento. Elas também não estão dispostas a realizar essa pesquisa. Ou se realizam, fazem um péssimo trabalho, porque o resultado é extremamente generalizado e raso; dá para se perceber quando uma pesquisa é feita às pressas.


É óbvio que estúdios almejam ganhar dinheiro. É evidente que filmes dublados sempre contarão com lotação de salas exibidoras. É assim que se banca o cinema. Contudo, acho que reduzir o número de cópias legendadas a esse ponto só causará um efeito: afastará o espectador mais especializado dos cinemas e em direção a pirataria ou mídias alternativas como a Netflix, que disponibilizam ambas as cópias dubladas e legendadas de todos os filmes em seu acervo. É uma questão de dar poder de escolha ao público.


Mas essa questão pode ficar para um futuro post....



Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 10:17  




Rick Baker, vencedor de sete Oscars por seu trabalho em maquiagem e efeitos visuais em inúmeros filmes, anunciou sua aposentadoria aos 64 anos de idade.




Em uma entrevista a rádio norte-americana KPCC, ele explicou o porque: "A hora é agora. Tenho 64 anos de idade e a indústria cinematográfica está 'louca' no momento. Eu gosto de fazer as coisas da maneira certa e eles [os produtores de Hollywood] querem efeitos baratos e rápidos. Isso não é o que eu tenho vontade de fazer, então cheguei a conclusão que é hora de sair".



Como podemos ver, Baker é um artista com 40 anos de carreira numa situação onde seus talentos vem sendo subaproveitados. Desde a revolução digital nos últimos 30 anos que Hollywood vem menosprezando o esforço de designers como ele.


Com os custos exorbitantes de produções blockbusters, fica cada vez mais difícil realizar certos efeitos de forma prática e artesanal. Design e produção de elementos com aspectos minuciosos tais como maquiagem requer tempo e investimento. Ao mesmo tempo, a maioria dos filmes dão início a suas produções com data de estreia já marcada, o que limita muito a todos envolvidos, já que não há espaço para cometer erros ou repensar conceitos no meio do caminho de qualquer etapa de desenvolvimento. Não há como tentar ser espontâneo ou tentar criar do nada. Um artista fica preso a um padrão industrial rígido.


Baker vem da mesma linha de pioneiros como Ray Harryhausen, o designer do King Kong original. A ausência dessa mão de obra faz com que efeitos visuais percam um pouco dessa originalidade e fiquem um pouco mais artificiais, já que estúdios não estão dispostos a arcar com o investimento necessário.


Também não se pode culpar a dependência que Hollywood vem fazendo do uso de computação gráfica. Ambas são formas legítimas de arte e expressão que merecem todo o aprecio e dedicação que se pode dar. Filmes fantasiosos como Star Wars não seriam possíveis se não existisse esse campo digital.


Mas mesmo George Lucas sempre deu valor a talento como Baker (que inclusive trabalhou no filme original de 1977). Já a mentalidade financeira que domina Hollywood não pensa da mesma forma.


E isso é uma falência completa de visão e imaginação. Não faz tanto tempo que vimos o potencial e o primor visual que artistas como ele podem trazer para as telas quando vimos O Senhor dos Anéis nos cinemas. O filme foi todo realizado pela WETA Workshop, uma empresa neo-zelandesa formada por Richard Taylor, que teve todo o tempo do mundo e inúmeros artistas para realizar a visão que Peter Jackson queria adaptar dos livros de Tolkien. Felizmente, a WETA ainda existe e ainda presta serviços para filmes hollywoodianos. A questão é se eles conseguem se adaptar as demandas cronológicas deles.


É óbvio que cronogramas tem de ser respeitados, afinal uma boa produção é feita por profissionalismo e dedicação, e é óbvio que o filme deve ganhar dinheiro, afinal foi-se feito o investimento. Mas tem de se ter paixão e respeito pela forma como artistas trabalham. Tem de se pensar no filme como uma obra que merece ser vista e apreciada, ao invés de feita apenas exclusivamente pensando em franquias e formas de se maximiar o potencial de venda e lucro. Isso apenas reduz o apelo do filme.


Isso leva a pensar até que ponto essa situação pode ser sustentada. Não faz muito tempo que Lucas e Spielberg deram uma palestra falando da forma como o modelo hollywoodiano tinha data de esgotamento definida (e não foi a toa que Lucas vendeu a Lucasfilm logo em seguida).


Seria uma pena se isso se perdesse por completo.



Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 13:13  

Estreias da Semana - 25/06/2015

(25 de jun de 2015)




Confira as estreias da semana, logo abaixo:



Minions


Passado-se antes dos eventos de Meu Malvado Favorito, a animação mostra as origens dos seres amarelados que tem a missão de servir aos maiores vilões existentes. Após a morte do mestre antigo, Stuart, Kevin e Bob seguem para uma convenção de vilões onde conhecem Scarlett Overkill (Sandra Bullock), que almeja ser a primeira mulher a dominar o mundo.


EUA
Animação / Aventura - 2015
Duração: 90 min.

Direção: Kyle Balda e Pierre Coffin.
Roteiro: Brian Lynch.
Elenco: Sandra Bullock, Jon Hamm, Michael Keaton, Allison Janney, Steve Coogan, Jennifer Saunders, Geoffrey Rush, Steve Carell, Pierre Coffin, Hiroyuki Sanada, dentre outros.


Classificação: Livre.





Muitos Homens num só



Dr. Antônio sempre se hospeda nos melhores hotéis e rouba os pertences dos demais hóspedes. Tudo isso muda quando ele conhece Eva e se apaixona por ela. Eva abriu mão de uma vocação artística para se casar, e agora encontra-se em um relacionamento infeliz.


Brasil
Drama - 2013
Duração: 90 min.

Direção: Mini Kerti
Roteiro: Leandro Assis, Nina Crintzs.
Elenco: Alice Braga, Caio Blat, Luís Carlos Miele, Pedro Brício, Silvio Guindane e Vladimir Brichta.


Classificação: 14 anos.






Jauja


Pai e filha embarcam em uma viagem para um deserto que fica no fim do mundo. Muitos tentaram essa aventura, mas poucos a completaram com sucesso.


Argentina, Dinamarca, França, México, EUA, Brasil, Holanda, Alemanha
Western / Drama - 2014
Duração: 109 min.

Direção: Lisandro Alonso.
Roteiro: Lisandro Alonso.
Elenco: Viggo Mortensen, Ghita Norby, dentre outros.


Classificação: 12 anos.







O Último Poema do Rinoceronte


Preso na revolução islâmica do Irã, o poeta Sahel acaba de sair da cadeia após cumprir uma pena de trinta anos. Agora, ele deseja apenas reecontrar sua esposa Mina, que mudou-se para Turquia há anos
acreditando o marido ter falecido.


Fasle Kargadan
Irã, Iraque, Turquia
Drama - 2012
Duração: 88 min.

Diretor: Bahman Ghobadi
Roteiro: Bahman Ghobadi
Elenco: Behrouz Vossoughi, Monica Bellucci, Caner Cindoruk, Yilmaz Erdogan, dentre outros.


Classificação: 16 anos.




Rainha e País


Devido à Guerra da Coreia, Bill Ronan, com apenas 18 anos, deve cumprir o serviço militar obrigatório durante dois anos num quartel. Ele faz amizade com Percy, um garoto isento de moral ou escrúpulos. Ambos vivem pregando peças nos oficiais superiores, buscando escapar da pior punição: ser enviado para a frente de batalha. Bill também se apaixona por uma mulher mais velha.


Queen and Country
Inglaterra, França, Romênia
Drama - 2014
Duração: 114 min.

Diretor: John Boorman.
Roteiro: John Boorman.
Elenco: Callum Turner, Caleb Landry Jones, David Thewlis, Vanessa Kirby, dentre outros.


Classificação: 14 anos.



Virando a Página


Keith Michaels, que já foi um roteirista de sucesso, passa por sérios problemas financeiros. Amargo, ele aceita dar aulas para universitários. Ao mesmo tempo, ele lida com suas falhas, e a atração que sente pela mãe solteira que é uma das alunas.


The Rewrite
EUA
Comédia / Romance - 2014
Duração: 107 min.

Diretor: Marc Lawrence
Roteiro: Marc Lawrence
Elenco: Hugh Grant, Marisa Tomei, J.K. Simmons, Allison Janney, Chris Elliott, Bella Heathcote, dentre outros.


Classificação: 12 anos.



O Gorila

Afrânio é um sujeito reservado e angustiado por memórias da infância. Ex-dublador com uma voz distinta, e agora incapaz de exercer seu talento, ele encontra um passatempo: ligar para pessoas desconhecidas, geralmente mulheres, e se apresentar como "O Gorila" e acaba desenvolvendo laços com elas.



Brasil
Drama / Suspense - 2011
Duração: 90 min.

Diretor: José Eduardo Belmonte
Roteiro: Cláudia Jouvin.
Elenco: Alessandra Negrini, Eucir de Souza, Otávio Muller, Mariana Ximenes, Milhem Cortaz, dentre outros.


Classificação: 14 anos.



Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 14:18  






Após anos de negociações, a Fox aprovou a continuação de Independence Day, filme-pipoca que foi o maior sucesso de 1996. Com Roland Emmerich novamente na direção, Independence Day: Resurgence, a continuação do filme-desastre que lançou a carreira de Will Smith começa a engrenar, com roteiro já pronto e filmagens sendo agendadas para tudo estar concluído até o verão de 2016, ano em que o primeiro filme completará 20 anos.


Quem lembra de Independence Day irá lembrar de imagens como a nave espacial destruindo a Casa Branca ou o Empire State, mas o que fez o filme dar certo* sem dúvida foi o elenco. Composto por Smith, Judd Hirsch, Bill Pullman, Jeff Goldblum, Randy Quaid, Brent SpinerMary McDonnell, o falecido James Rebhorn, dentre outros, foi a afinidade desses atores (alguns com talento cômico como Hirsch) e seus personagens que fizeram a trama decolar. Fazer um bom filme-pipoca depende desse elemento mais do que qualquer outro. É assim que se conquista a simpatia e respeito do público. Quando você coloca personagens-comuns em uma situação fantástica você estabelece o elemento humano e o fio da narrativa, já que a história tem de ser contada do ponto de vista deles.


*Também vale mencionar a excelente trilha sonora composta por David Arnold, e o inovador design de produção de Patrick Tatopoulos, que trabalhou com Emmerich em Stargate, mas por questão de argumento, iremos manter a discussão no elenco.




Por que estamos falando tanto do elenco? Pelo motivo pelo qual a produção vem sofrendo atrasos. A dificuldade em trazer certos atores de volta. O principal problema sem dúvida foi a recusa de Will Smith em reprisar o papel do Capitão Steven Hiller.


Em 1996, Smith era conhecido apenas pelo seriado Fresh Prince of Bel Air, e o filme Bad Boys. Foi com o sucesso de Independence Day que Smith tornou-se um ícone mundial, e isso o levou a papéis em Homens de Preto, Inimigo do Estado, dando assim início a uma das maiores carreiras já vistas em Hollywood.


Ao mesmo tempo, sabe-se que Smith é uma pessoa difícil de trabalhar. Ele possui a tendência de dar palpites no roteiro de todo filme em que participa. É evidente que após conquistar esse estrelato, Smith ganhou merecidamente essa influência. Tanto que ele possui sua produtora como todo ator de peso. Se ele não tiver o papel de destaque, a situação fica mais complicada*.


*Isso levanta a hipótese de como Smith estaria se portando nas filmagens de Esquadrão Suicida, que é um filme de elenco grande, com destaque para muitos. Fora a foto do elenco que ele postou no Instagram, não sabemos.


Tendo rejeitado a oportunidade de reprisar o papel que o fez famoso deixa Smith com uma imagem de arrogância e estrelismo que vai diretamente contra o tipo de personagens que fizeram dele a pessoa de personalidade simpática a qual o público está acostumado a ver.


O próprio Dean Devlin, roteirista e produtor dos filmes ao lado de Emmerich, considera que essa foi a melhor opção para o filme. Para ele, nunca era a intenção fazer uma continuação se não fosse possível contar uma história que apresentasse algo completamente novo, sem recriar a trama do primeiro filme.




Resta ver o que irá acontecer. De acordo com detalhes revelados, Levinson (personagem de Goldblum) será o diretor da nova agência de defesa espacial humana, que trabalha independente de fronteiras tentando impedir que uma invasão como a do primeiro filme aconteça novamente. Ao mesmo tempo, a trama dará destaque aos filhos de Hiller e do Presidente Whitmore.


E aqui levantamos a segunda bola fora da produção: os papéis dos filhos foram escalados com novos atores.


O personagem Dylan Hiller* será interpretado por Jessie Usher. No primeiro filme, o papel era do então novato Ross Bagley (que havia trabalhado com Smith em Fresh Prince). Nesse caso, Usher tornou-se queridinho das adolescentes nos últimos anos, fazendo participações na TV e no cinema, enquanto que Bagley ficou quase 10 anos longe das telas, reaparecendo recentemente em papéis pequenos.


*Óbviamente colocar Bagley no primeiro filme teve influência de Smith. Se fosse atualmente, não ficaria surpreso se alguém assumisse que ele fosse colocar o próprio Jaden Smith no papel.



A notícia que causou mais estrago para a imagem do filme foi a escolha de uma nova atriz para a personagem Patricia Whitmore, filha do presidente no primeiro filme. Na época, ela foi interpretada pela atriz-mirim Mae Whitman, então com 7 anos. O motivo da revolta é mais do que justo. A personagem será interpretada por Maika Monroe, e supostamente Whitman nem havia entrado para a lista de atrizes para o papel ou teria sido ao menos cogitada por qualquer executivo ou produtor. Além disso, a personagem supostamente teria o romance principal da trama com um novo personagem, que deverá ser interpretado por Liam Hemsworth.


Só que ao contrário de Bagley, Whitman nunca parou de trabalhar. Era é um dos raríssimos casos de atores-mirins que deram certo em Hollywood, sem cair nos vícios ou virar matéria para tablóides. Ela nunca tornou-se uma estrela de tapete vermelho, mas mesmo assim manteve uma carreira firme e forte, fazendo diversos papéis em séries e filmes, incluindo Arrested Development e a mais recente versão de Parenthood, além de diversos papéis de dublagem e animações desde a infância.


Ao contrário de muitos atores, Whitman com seus 26 anos de idade mostra sabedoria e competência que muitas atrizes nem sonhariam em ter. Só que fisicamente, ela nunca entrou no padrão de beleza considerado adequado para papéis em blockbusters de porte.


Então pelo fato de sua personagem estar envolvida em um romance com um personagem interpretado por um dos queridinhos de Hollywood, isso significaria que ela não possui o físico necessário para dividir as cenas com Hemsworth? Os executivos acham que o público rejeitaria um romance tão fora do padrão assim?


Isso é nada mais do que uma falta de respeito demonstrada pelos diveros altos escalões de Hollywood, e ainda por cima numa época em que luta-se mais do que nunca para abolir essa forma de discriminação. Atrizes que não possuem o peso ou a idade consideradas "ideais" merecem mais respeito do que isso.



Isso gerou um clima de revolta e indignação mais do que merecidos. Anna Kendrick, que trabalhou com Whitman na comédia The DUFF, foi a primeira a expressar isso via Twitter.


Entendemos que as vezes não é possível colocar o mesmo ator no papel. Existem inúmeros fatores que contribuem para tais mudanças, e as vezes um novo ator pode trazer algo de diferente para o papel. Um problema é que isso quebra a sensação de realidade orgânica criada dentro da ficção. O espectador percebe se o papel foi tomado por outro ator subitamente (quem viu Game of Thrones recentemente sabe do que estou falando) e percebe as imperfeições na confecção da obra audiovisual.


Mas também desejamos o melhor dos mundos para Monroe e Usher, que são jovens atores com enorme talento e potencial, mais do que capazes de levar seus papéis adiante.


Independence Day: Resurgence estreia em 24 de junho de 2016.



Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 13:32  

James Horner (1953-2015)

(23 de jun de 2015)




Morreu em um acidente aéreo nesta segunda-feira o compositor James Horner. Ele tinha 61 anos.


Formado em estilo clássico, Horner ficou compôs a trilha sonora de mais de 150 filmes desde o final da década de 1970, e muitos desses clássicos são lembrados até hoje, tais como Cocoon, 48 Horas, 48 Horas - Parte 2, Fievel - Um Conto Americano, O Milagre veio do Espaço, Willow, Querida Encolhi as Crianças, Campo dos SonhosJogos Patrióticos, Perigo Real e Imediato, Jumanji, Mar em Fúria, Casa de Areia e NévoaO Menino do Pijama Listrado e O Espetacular Homem-Aranha, dentre muitos outros.



Após trabalhar em filmes de Roger Corman, o primeiro grande trabalho de Horner foi em Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan. De acordo com o diretor Nicholas Meyer, o orçamento do filme era tão baixo (cerca de 10 milhões de dólares) que eles não tinham como bancar o cachê* de um compositor como Jerry Goldsmith (que havia composto o primeiro filme de Jornada; também já falecido). Horner surgiu como uma alternativa viável, no fato de que ele tinha o treinamento e a capacidade de criar uma trilha sonora que transmitisse uma atmosfera naval e grandiosa, mas ao mesmo tempo diferente do trabalho que Goldsmith havia feito com a franquia até então. Horner adaptou os temas originais de Alexander Courage e fez um trabalho tão aclamado que Leonard Nimoy o convidou para compor Jornada nas Estrelas III.


*UPDATE: Ironicamente, quando Meyer foi dirigir Jornada VI, Horner era sua primeira escolha para compor o filme, mas ele havia tornado-se caro demais para a produção (e a Paramount estava tentando controlar os custos). Isso forçou Meyer a procurar o novato Cliff Eidelman.



O domínio de orquestra, melodia e ritmo que Horner tinha ia além das expectativas. Ao mesmo tempo, ter esse domínio e ter o talento necessário de criar obras originais, capazes de gerar um contexto emocional em cada filme, mostra que Horner e seu trabalho foram essenciais para cada uma dessas produções.






Mais tarde, Horner compôs a trilha de Aliens - O Resgate. Esse foi o início da parceria entre ele e o diretor James Cameron. Ele voltaria a compor para Cameron em Titanic e Avatar. Foi com seu trabalho em Titanic que Horner levou dois Oscars para casa, um pela trilha sonora do filme e outro por ter composto a canção My Heart will go on, que foi cantada por Celline Dion.




Talvez o maior trunfo de sua carreira foi ter conhecido Mel Gibson. Ao assumir a trilha de Coração Valente, Horner tomou como inspiração músicas folclóricas escocesas e irlandesas, e criou seu trabalho mais impactante. Mais do que qualquer elemento do filme, ao discutir o impacto de Coração Valente, não dá para deixar a música de lado. Ela é o filme. Foi uma obra-prima que merecia ter levado o Oscar. Quando você assiste ao filme e relembra a cena em que William Wallace grita por liberdade a beira da morte, você lembra de imediato a melodia de Horner, trazendo todas aquelas emoções à tona.




De qualquer forma, o sucesso do filme e da trilha levaram Gibson a colaborar com Horner novamente em Apocalypto.



Horner, já o preferido de James Cameron e Mel Gibson também ganhou outro diretor colaborador: Ron Howard. Após seu trabalho tanto em Willow quanto em Apollo 13, Howard o colocou no comando da trilha sonora de Uma Mente Brilhante. A trilha inicial deste filme ('O Caleidoscópio da Matemática') é tão bem construída que lembra uma dança e acaba pintando um retrato da mente de John Nash.


Ao trilhar o caminho entre momentos grandiosos e emoções íntimas, Horner mostrava uma versatilidade que poucos compositores tinham.



Mas como qualquer pessoa, Horner não era perfeito ou ausente de falhas. Ao analisar a trilha de Jornada nas Estrelas III, pode se perceber o início de uma tendência que o compositor teria ao longo de sua carreira: reciclar trilhas. Boa parte da trilha do filme foi composta de sequências compostas pro filme anterior.


Ao mesmo tempo, essa tendência pode ser vista em outras produções. A trilha principal de Comando para Matar usa uma passagem ritmica idêntica baseada em outra trilha que ele compôs para 48 Horas. A mesma passagem foi reutilizada em O Dossiê Pelicano e também Perigo Real e Imediato. A abertura de Mar em Fúria também possui semelhanças com boa parte da trilha do filme sobre Jack Ryan.


Além disso, muitos na comunidade musical inclusive acusaram Horner de plágio direto em várias de suas trilhas. Uma das cenas de O Milagre veio do Espaço utiliza um trecho musical que alguns alegam ter sido utilizado numa versão musical de Cinderela, e que teria sido composto por Sergei Prokofiev. Outro caso parecido mais conhecido foi o da trilha principal de Coração Valente, que possui o mesmo tom e ritmo dessa trilha composta pela banda instrumental japonesa S.E.N.S.:





Independente das questões morais e éticas quanto ao uso de música em um filme, certamente entendemos o desafio que é para Horner ter de criar composições distintas para tantas produções no ritmo que sempre escreveu. Não existe tarefa mais difícil do que manter a originalidade e se superar dia após dia. O simples fato de Horner ter sido capaz de criar tantas obras originais já fala por si só. Ele ter pego emprestado obras de outros autores pode ser visto como uma admiração do próprio compositor pelo trabalho dos outros.


E a mais simples verdade é que nenhum compositor é inocente dessa prática. Todos que tiveram uma carreira deste porte chegaram a fazê-lo em alguma época. Hans Zimmer o faz sempre*. Uma questão que fica em aberto é o fato de que reconhecer a música de outra obra pode denegrir a identidade do filme que você está assistindo. Em casos como Jornada, dá para entender, já que trata-se do mesmo universo com os mesmos temas. O problema é quando se descobre que a melodia de Coração Valente tem uma origem completamente alienada do mundo que Gibson criou.


* Vale lembrar que Zimmer usou as trilhas criadas por Klaus Badelt para as sequências de Piratas do Caribe, e ninguém foi capaz de colocar Badelt nos créditos dos filmes pela obra original.


Dois filmes compostos por Horner ainda estrearão nos cinemas. Southpaw, drama de boxe estrelado por Jake Gylenhaal e Rachel McAdams, e The 33, filme baseado no desastre da mina no Chile, que tem Rodrigo Santoro no elenco.



Horner fará falta. Sãos poucos os filmes atuais que dedicam o tempo necessário para criar uma trilha marcante. Espera-se que não se menospreze os esforços de compositores que amam aquilo que fazem. Essa paixão existe porque houve pessoas como Horner, dedicadas a criar e inspirar todos aqueles que buscam explorar essas emoções. Assistir a um filme é uma experiência emocional, e dentro do contexto audiovisual, o poder que a trilha dá às imagens é inestimável. Não é a toa que os fãs de Star Wars lembram de música de John Williams. Ao mesmo tempo que é a trilha é a identidade do universo de Star Wars, ela também representa as sensibilidades de alguém como Williams.


É o mesmo caso com Horner. Deve-se preservar o trabalho deles, e sempre incentivar novos talentos a seguir o mesmo caminho para que obras como essa jamais sejam esquecidas.









Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 13:05  

Tubarão (1975-2015)

(22 de jun de 2015)




Tubarão faz 40 anos de idade nesta semana. O pai do cinema blockbuster, dirigido por Steven Spielberg, foi lançado em 20 de junho de 1975.


Vamos dar uma conferida neste clássico, relembrando alguns de seus melhores momentos e revelando algumas curiosidades de sua produção:



- No verão de 1975, quando o filme foi lançado, ele foi visto por 67 milhões de pessoas apenas nos EUA. A bilheteria ultrapassou a barreira dos 100 milhões de dólares, e manteria esse recorde por dois anos até a estreia de Guerra nas Estrelas, em 1977.


- Spielberg procurou filmar sempre que possível mirando a câmera no mesmo nível que o mar, criando uma sensação de tensão e claustrofobia no público. Cerca de 25% das cenas do filme, incluindo a maioria das cenas no barco foram filmadas com esse ângulo. E houve uso intenso de câmeras seguradas a mão, a fim de conter as marolas e ondas.


- Spielberg não era o diretor original da produção. O diretor original (cuja identidade jamais foi revelada) foi despedido pela Universal após uma reunião com os executivos onde ele sugeriu uma tomada elaborada que introduzisse a baleia. Ao cometer essa gafe, um dos executivos disse que não trabalharia com um diretor que não soubesse a diferença entre uma baleia e um tubarão, e que essa produção não era Moby Dick.


- Spielberg rejeitou a escolha de Charlton Heston para o papel de Brody (que foi para Roy Scheider). A justificativa do diretor foi a de que Heston havia tornado-se referência do personagem heróico que sempre salva o mundo (como ocorrera em Terremoto, de 1974). Caso ele fosse parte da trama, o público não acreditaria que ele pudesse ser vítima do tubarão. Supostamente, Heston não aceitou a rejeição bem, a ponto de fazer comentários negativos a respeito de Spielberg, e também rejeitou a oportunidade de interpretar o personagem do General Stillwell em 1941.


- O cachorro de Brody no filme era o cachorro de Spielberg.


- Existia uma teoria de que o filme não continha nenhum elemento de cor vermelha em qualquer cena, com exceção do sangue das vítimas e do tubarão. Contudo, a teoria nunca teve fundamento, já que há diversas cenas no filme que contém bandeiras norte-americanas, latas de coca-cola, chapéus, dentre outros objetos de cena.




- Como muitos sabem, o tubarão mecânico criado para a produção foi fonte de inúmeros problemas durante as filmagens. Quando o tubarão foi montado, eles o colocaram nas águas de Martha's Vineyard, sem jamais tê-lo testado. O resultado foi que ele despencou direto para o fundo do mar. Pelo fato dele estar quebrado, ele não estava disponível para diversas tomadas, e Spielberg não tinha como adiar essas tomadas devido ao tempo limitado de filmagem que tinha.



- Ao mesmo tempo, muitos tinham a opinião de que o tubarão não era realista o suficiente para aparecer no filme. Spielberg e a montadora Verna Fields editaram o filme de tal forma que o público veria pouquíssimas tomadas com o tubarão, de forma a esconder suas imperfeições. Além disso, a ausência do tubarão criou um nível extra de suspense que funcionou de forma perfeita ao lado da trilha sonora de John Williams.


- Os problemas do tubarão mecânico também inspiraram Spielberg a adotar uma solução bastante criativa: filmar o ponto de vista do animal. Dessa forma, saberíamos o que ele estava fazendo sem precisar mostrar o modelo, e colocando o público no ponto de vista do vilão.



- O tubarão mecânico recebeu um apelido carinhoso da equipe: Bruce. Uma das versões, a de corpo inteiro, faz tour por museus ao redor do mundo. Já o segundo Bruce tornou-se parte da atração Tubarão no parque de diversões da Universal.






- O filme foi baseado no livro de Peter Benchley, cujos direitos de adaptação foram adquiridos pelos produtores Richard Zanuck e David Brown por 175 mil dólares. Benchley inclusive pode escrever as primeiras versões do roteiro. Todas foram rejeitadas por Spielberg, que as reescreveu com Carl Gottlieb.


- A princípio, Richard Dreyfuss havia recusado o papel de Hooper, mas voltou atrás em sua decisão quando viu as primeiras impressões de O Grande Vigarista, que para ele foram negativas. Sua recisão o levou a colaborar com Spielberg em contatos imediatos em seguida.


- Um acidente no set fez com que o tubarão afundasse. Enquanto Spielberg dava ordens para resgatar os atores da água, a câmera afundou. Os negativos tiveram de ser transportados para um laboratório de película em Nova York. Eles foram capazes de salvar as cenas filmadas.


- O motivo pelo qual Martha's Vineyard foi escolhido como palco de filmagens foi pelo fato da água ser rasa. Mesmo longe da costa, o fundo do mar não passava dos 15 metros de profundidade, o que facilitava as filmagens.

Posted in 0 comentários Postado por Eduardo Jencarelli às 14:36