Blade Runner é um filme que passou por diversas versões. Ao menos sete edições diferentes do filme foram lançadas para o público nos últimos 35 anos. Com a estreia de Blade Runner 2049 chegando, vale lembrar que nem todo mundo lembra do filme original da mesma forma. Cada um pode ter visto uma versão diferente.


Quem tem mais de uma certa idade deverá lembrar da versão original lançada nos cinemas. Especificamente o final do filme. Após a descoberta de que Rachael (Sean Young) era uma replicante, o policial Deckard (Harrison Ford), com ordens de assassinar todos os replicantes, não sabia que decisão tomar. O filme então mostrava ambos em um automóvel dirigindo por uma estrada banhada por árvores e um sol brilhante e um céu azul. Em seguida, vemos uma tomada aérea de paisagens montanhosas isoladas da civilização. Uma cena 100% diferente do resto do filme e seu impactante retrato de uma Los Angeles futurista e sombria. Uma antítese do clima noir que o filme até então vinha mostrando.


Versões posteriores cortaram essa sequência final, preferindo deixar o destino dos protagonistas incerto e aberto para interpretações do público. O filme terminava na Los Angeles sombria e chuvosa.


Acontece que a fuga dos dois personagens para fora da cidade foi uma exigência do estúdio, cuja autoridade superava a do próprio Ridley Scott. Eles temiam que ninguém seria capaz de entender a trama e que a falta de resolução fosse afastar ainda mais o público.


As tomadas aéreas são na verdade takes não usados de O Iluminado, clássico de Stanley Kubrick. Quem lembra do filme, deverá recordar a abertura com a tomada aérea mostrando o carro de Jack chegando no hotel nas montanhas.


Além disso, Harrison Ford foi forçado a gravar uma narração em off para explicar a trama do filme. Propositalmente, o ator fez uma performance medíocre como forma de protesto. Abaixo segue o final original, com a narração.


Vale lembrar também que o filme não foi um megasucesso durante seu lançamento original em 1982. Foi somente anos depois que ele ganhou o status de cult, com uma pequena legião de fãs fervorosos. Foi então que Scott pôde tentar realizar uma versão do diretor. Contudo na época, Scott não foi capaz de recuperar todas as tomadas de qualidade que desejava para atingir sua visão original. Foi somente em 2007, com a versão conhecida como Final Cut que isso se tornou possível


Confira abaixo o final original, com a trilha inesquecível de Vangelis:





Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 12:22  

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