Alien - Revelações

(21 de jul de 2015)




A franquia Alien já foi palco de diversas controvérsias, tais como a disputa por crédito no roteiro do filme original, a revolta que Prometheus causou entre muitos dos fãs, dentre outras. Nunca foi uma franquia que tivesse consenso.





Como muitas séries que passam por diversos filmes, era inevitável que algumas dessas produções não caissem no gosto dos fãs. Sem dúvida, o primeiro grande bode expiatório da série foi Alien 3. O filme dirigido por David Fincher dividiu a crítica. Enquanto alguns destroçavam o filme por invalidar todo o progresso narrativo feito em Aliens - O Resgate, outros aplaudiam Fincher por recriar o clima de tensão solitária do filme original.


Contudo, não dá para culpar uma única pessoa por quaisquer erros que uma produção tenha cometido. Filmes, assim como televisão, são um produto de colaboração. São dezenas ou até centenas de pessoas envolvidas em um projeto, e todas elas contribuem. Se Rockne O'Bannon foi o autor do filme original ou não deixa de ser a pergunta relevante. Ele sem dúvida foi importante, assim como foi Ridley Scott, o produtor Walter Hill, o designer H.R. Giger e Sigourney Weaver também foram. Não dá para restringir crítica a uma pessoa.


O mesmo vale para os filmes posteriores. James Cameron, David Fincher, Joss Whedon, Jean Pierre-Jeunet, Winona Ryder, Bill Paxton, Lance Henriksen, Damon Lindelof, Michael Fassbender, dentre muitos outros contribuiram para ampliar esse universo.


Recentemente, Sigourney Weaver revelou ao Radio Times seu desdém pelo filme spin-off Alien vs. Predador. Descobrimos também que a idéia surgiu em 1991, ao mesmo tempo em que Weaver voltava a encarnar Ripley em Alien 3. O jogo de videogame que unia os dois personagens estava sendo produzido, e uma coisa levou a outra. Começou a se discutir unir as duas franquias nos corredores da Fox. Weaver, que obviamente sentia orgulho dos filmes que havia feito, não foi capaz de apoiar a iniciativa, principalmente por questões de integridade artística.


Weaver também revelou que foi a concepção desta ideia que fez com que Ridley Scott desistisse de dirigir Alien 3. Ele desejava continuar a história que havia iniciado em 1979, e ter de lidar com a presença de Alien vs. Predador atrapalharia toda a continuidade e união dramática da série. O próprio James Cameron, que dirigiu o segundo filme, também questionou a decisão da Fox publicamente.


De qualquer forma, o filme prosseguiu em desenvolvimento e foi lançado em 2004. Rebatido pela crítica, o filme teve algum sucesso de bilheteria, graças principalmente a direção enérgica de Paul W.S. Anderson (Resident Evil). Contudo, a continuação de 2007 foi um fracasso retumbante.


O interessante é o uso do termo franquia para descrever a série. Geralmente, franquia se aplica a algo produzido com ritmo e frequência, como é o caso dos filmes da Marvel. Mas se olharmos para Alien, tivemos apenas sete filmes desde 1979. E desde o terceiro que a recepção tem encontrado-se dividida. Mesmo assim, é graças a iniciativa de autores fãs desse universo que ele se manteve relevante para novas gerações. Prometheus, por mais divisor que seja, conseguiu revitalizar esse universo, analisando-o do ponto de vista de crenças e espiritualidade. Esse era um passo necessário para escapar da sombra dos dois crossovers feitos por motivos puramente comerciais, injetando idéias mais profundas nesse universo que gerem debates.


E agora, com Neill Blomkamp desenvolvendo um reboot da franquia, dedicando toda sua paixão, veremos o que irá sair a medida que a série aproxima-se dos 40 anos de existência. Weaver já expressou apoio incondicional a iniciativa do cineasta sul-africano.





Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 11:55  

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