Decisões equivocadas

(17 de nov de 2015)



Cada vez mais fica a impressão de que os executivos que dirigem Hollywood não fazem idéia do que estão fazendo.



Nesta semana a Sony anunciou o início da pré-produção de A Garota na Teia de Aranha, que seria baseado em um dos livros da famosa série literária criada por Stieg Larsson. Só que o filme será um reboot, sem a presença de Daniel Craig, Rooney Mara ou o diretor David Fincher. Em outras palavras, a Sony está descartando por completo todo o esforço que eles deram no primeiro filme, Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A própria Rooney Mara falou em entrevista que nem tinha sido avisada dessa mudança de rumo.



Detalhe: o filme foi sucesso de público e bilheteria, rendendo 230 milhões de dólares. Foi até melhor que a adaptação sueca, feita alguns anos antes.


Todavia, a Sony - até por ganância, má fé ou falta de visão - foi incapaz de perceber isso, e passou os últimos anos tentando cortar custos para as continuações até que desistiu por completo, preferindo recomeçar do zero, e pulando de vez o segundo e terceiro livros, preferindo adaptar um livro que nem foi escrito por Larsson. Assim como o caso recente da Fox com o Quarteto Fantástico, toda essa história tem cheiro de fracasso.


O primeiro filme tinha custado 90 milhões, e rendido 230. Tem alguma coisa errada se um estúdio não vê isso como sucesso. Isso pra mim é uma influência direta da cultura do capital especulativo vindo de Wall Street, que cria expectativas, e se o resultado final não bate com elas, é visto como fracasso. É uma linha de pensamento completamente incompatível com o processo de criação artístico.


E essa não é a única trapalhada recente cometida em Hollywood. A AMBI Pictures anunciou que irá fazer um remake de Amnésia, clássico do diretor Christopher Nolan, que foi lançado há apenas 15 anos.


É perfeitamente possível que um remake desses possa dar certo, principalmente se o diretor quiser contar a história de forma diferente, trazendo algum aspecto novo. Se não, esse fica sendo mais um caso de um estúdio ganancioso querendo se aproveitar do sucesso de um clássico e ganhar dinheiro às custas de uma nostalgia mal direcionada. Um remake faria mais sentido se o filme original tivesse defeitos. Óbviamente, não é o caso de Amnésia, que basicamente lançou a carreira de Nolan.


Infelizmente, essa é a realidade que temos de aturar numa indústria que vê seu acervo cada vez mais como produto e menos como obra intelectual e artística.


Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 12:18  

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