Qualidade de Projeção

(4 de dez de 2015)



Esse vai ser mais um daqueles posts....


Nessa semana começou um circuito de exibições preliminares do filme Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino, no formato 70mm. Foram várias sessões feitas principalmente para a imprensa. E em várias delas, surgiram problemas sérios de exibição.


De acordo com o Playlist, durante uma exibição do filme em um cinema em Westwood, Los Angeles, houve erros grotescos de foco e enquadramento. Esses erros comprometeram a própria direção de fotografia do filme, impossibilitando que o público percebesse cenas em que o fotógrafo direcionasse o foco para parte do frame. Os problemas cumulativos de projetar o filme em 70mm levaram a direção do festival exibir a segunda metade do filme em formato digital.



Isso levanta uma questão séria. Até que ponto o público consegue tolerar a má qualidade de projeções em salas de cinema? Afinal, ir ao cinema é um hobby caro. O mínimo que se espera de uma exibidora é que ela invista esse dinheiro em uma sessão de qualidade.


Contudo, o que se vê nas salas de cinema é cada vez mais a situação oposta. Redes de cinemas como o UCI, partes do Cinemark, dentre outras (falando pelo menos dos cinemas no Rio) em que as projeções são problemáticas. Mesmo na situação atual, onde a maioria dos filmes é distribuida digitalmente, o problema persiste.


Imagina se essas redes tivessem de exibir um filme como Os Oito Odiados em 70mm? Se já existem problemas assim nos países de primeiro mundo, é de praxe esperar a situação em grau pior por aqui. Além das salas não estarem equipadas, o simples fato é que o pessoal contratado não tem experiência ou competência necessária para lidar com todas as variáveis que surgem ao lidar com película. Isto é resultado de duas causas: uma é a própria digitalização já mencionada, o que fez exibidoras dispensarem especialistas em película. A outra causa é a própria terceirização praticada por exibidoras, que resulta na contratação de garotos mal-treinados sem nenhuma dedicação, o que resulta no que estamos vendo.


Infelizmente, as salas ficam cada vez mais ausentes de profissionais especializados na área, e acabamos vivendo situações tais como esta que vem ocorrendo com Tarantino. Se não há um mínimo de preparo e investimento, não há como uma projeção sair bem. Já é complicado realizar um filme, levando em conta as 30 mil variáveis que podem comprometer a produção. Ter de lidar com um empecilho na hora que já está tudo pronto é uma complicação desnecessária. E as exibidoras ainda levam 50% da bilheteria.


Resumindo, é pura falta de compromisso e profissionalismo por parte das exibidoras. Distribuidoras e produtoras não deveriam ter de sofrer reações negativas a um filme por causa disso.


Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 09:47  

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