A Gafe do Oscar

(3 de mar de 2017)




Aviso prévio: esse vai ser um post com duras críticas.


Afinal, o que foi aquela situação na madrugada de domingo pra segunda?


Sem dúvida que este Oscar será lembrado por anos e anos. Moonlight não será somente lembrado como o filme que derrotou La La Land na corrida pelo prêmio principal, mas também será lembrado por ter sido o pivô de uma controvérsia que ainda dará assunto.


Como muitos já devem saber, a culpa caiu sobre a empresa de auditoria Pricewaterhousecoopers (PwC), e principalmente sobre os dois membros responsáveis pelo manuseio dos envelopes que contém os nomes dos vencedores, Brian Cullinan e Martha Ruiz. A empresa assumiu essa culpa com honestidade e integridade, se responsabilizando, além de tomar as devidas providências ao lidar com os dois funcionários.


Porém, ainda assim, temos de lidar com a raíz do problema que causou toda essa controvérsia. Acho esse um assunto mais do que pertinente. O Wall Street Journal revelou que Cullinan passara a noite tirando selfies com atores e atrizes famosos e as postando em seu Instagram e Twitter. Resumindo, ele passar o envelope errado para Warren Beatty aconteceu simplesmente porque estava distraído com seu telefone.


Leva em conta a responsabilidade de um funcionário neste patamar. Se você tem de manter sigilo e guardar à sete chaves os nomes de pessoas que serão reveladas a milhões de espectadores naquela ocasião, não cai nem um pouco bem se distrair no meio do processo. Seria fácil perdoar uma falha dessas com uma frase clichê do tipo "acidentes acontecem". O fato de acidentes acontecerem não significa que devemos ignorar a causa deles. Por mais que a vida e o mundo sejam uma teia de variáveis imprevisíveis, cabe a cada um de nós prevenir tais erros ou aprender com eles.


Honestamente, distração por uso de telefone é um problema crônico que afeta a sociedade em que vivemos a cada dia que passa.


Contudo, isso não quer dizer que erros são inaceitáveis. Errar num esporte ou jogo é compreensível. Errar uma questão de prova em colégio acontece com qualquer um. Trombar numa pessoa no meio da rua porque estava olhando para o telefone ao invés de olhar para a frente já é uma falta de consideração com o bem-estar coletivo. O telefone individualiza a experiência de cada usuário e faz com que ele/ela se isole mentalmente do que ocorre ao seu redor.


Igualmente incompreensível é o fato de que muitos desses usuários compulsivos de telefone nem ao menos estão conscientes de que estão atrapalhando os demais. Foi a situação que enfrentei assistindo a uma sessão de Moonlight no cinema, onde uma moça desavisada passou cinco minutos conferindo posts de Facebook no meio do terceiro ato. Só digo uma coisa: se não consegue aguentar uma sessão de 105 minutos sem acessar o telefone, faça o favor e nem se dê o trabalho de ir ao cinema. Não há diferença dela para Brian Cullinan. Ambos deixaram ser guiados pela ânsia, deixando as demais obrigações de lado. O déficit de atenção fez o restante, causando as devidas consequências.


É a mesma situação no trânsito. Qualquer oportunidade de parar o automóvel é uma desculpa para ficar olhando para o maldito aparelho, desviando a atenção de onde deveria estar focado. Não é a toa que acidentes de trânsito ocorrem diariamente.


E não é uma questão de culpar empresas de telefonia ou as gigantes que trouxeram essa inovação tecnológica para o consumo do público. É uma questão de que a raça humana ainda não aprendeu a incorporar estes avanços em seu cotidiano. E não deverá aprender tão cedo.



Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 11:54  

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