Kirk Douglas chega aos 100 anos

(9 de dez de 2016)




São poucos os que chegam a esse patamar. Kirk Douglas completa hoje 100 anos de existência.


É difícil até imaginar chegar a esse ponto. Quem não lembra de Douglas em papéis como Spartacus, Midge Kelly (O Invencível) ou Vincent Van Gogh? Nascido como Isur Danielovitch, Douglas já fez de tudo em sua carreira. Ação, drama, comédia, suspense. Também atuou, escreveu, produziu e dirigiu. Foi uma verdadeira lenda, tanto em seus filmes quanto na vida real.


Engano meu. Não foi uma lenda. Continua sendo.


São poucos os atores que conseguem conciliar sua fama e estrela com um talento igualmente impactante. Douglas também é conhecido por sua versatilidade. Ele consegue transitar do drama para a comédia com pouquíssimo esforço. Quem viu o discurso dele ao receber seu Oscar honorário na cerimônia de 2011 viu que mesmo idoso, ele foi capaz de ser mais autêntico, elegante e engraçado do que qualquer outro apresentador.


Minha primeira lembrança de Douglas foi assistindo ao filme Os Puxa-Sacos, no qual o já então idoso ator era capaz de afogar um jovem Michael J. Fox na piscina.


O filme que colocou ele no estrelato foi O Invencível, de 1949, onde interpretou o boxeador sem escrúpulos Midge Kelly. Sua performance digna dos melhores filmes noir lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.


Politicamente, Douglas também foi convicto e corajoso. Foi graças ao apoio dele que Dalton Trumbo conseguiu receber crédito pelo roteiro de Spartacus, possibilitando o fim a lista negra de autores em hollywood no período do Macarthismo.


Douglas também superou alguns desafios de vida. Mesmo após sofrer um derrame em 1996, conseguiu recuperar gradualmente o uso da fala. Também sobreviveu a um acidente de helicoptero em 1991. Foi após esse trauma que Douglas voltou a abraçar suas origens judaicas a ponto de visitar o Muro de Jerusalém.


Spartacus foi óbviamente o trabalho mais conhecido do ator. Ele resolveu abraçar o projeto após perder o papel de Ben Hur para Charlton Heston. O filme acabou se tornando sua segunda colaboração com Stanley Kubrick após terem feito juntos Glória Feita de Sangue. Ele colocou Kubrick no comando após desentendimentos com o diretor Anthony Mann*. E Douglas já havia travado batalhas de ego contra Kubrick. O diretor havia reescrito cenas sem o conhecimento de Douglas, que fez com que ele filmasse as versões originais. Ele afirmou numa entrevista recente que Kubrick era um canalha, mas admitindo que possuía um imenso talento. Mesmo com seu ego, Douglas sempre foi capaz de reconhecer o valor de seus contemporâneos em hollywood.


*Ele era um ator capaz de trocar diretores na década de 1950. Aí se percebe o quanto de poder e influência Douglas tinha. São poucas as estrelas atuais que possuem essa autoridade.


Foi sem dúvida o retrato mais fiel de um herói que luta em busca de reparação e justiça. Não é a toa que o filme foi o maior sucesso financeiro da Universal durante tantos anos. O carisma de Douglas enquanto o ator encarnava a clássica jornada do herói certamente cativou espectadores.


E claro, a fama não ficou restrita a apenas ele. Graças a ele, temos hoje uma família de artistas, dentre eles o mais conhecido sendo o veterano Michael Douglas, cuja longa carreira fala por si só.


Em 2003, Kirk, Michael e o neto Cameron trabalharam juntos no filme Acontece nas Melhores Famílias*, unindo assim três gerações.


*O filme também é notável por ter uma até então jovem e desconhecida Michelle Monaghan.


Confira algumas cenas marcantes de Kirk Douglas em seus diversos trabalhos nesses últimos 100 anos.










Posted in Postado por Eduardo Jencarelli às 10:45  

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